Moçambique entre os castigados com alta de petróleo
Lisboa, 13 Ago 08 (AIM) - O anúncio, na última Segunda-feira, da nova vaga de subida do petróleo vem, mais uma vez, castigar as frágeis economias de países como Moçambique, que não produzem o chamado “ouro negro”, não obstante esforços em curso para a construção de refinaria em Nacala, no Norte, e do pipeline Matola-África do Sul, no Sul do país.
A carestia do petróleo e dos alimentos no mercado internacional ocorre numa altura em que o País está empenhado na reconstrução socio-económica, depois do sangrento conflito armado de 16 anos, terminado em 1992.Em Moçambique, segundo dados divulgados na semana passada, no decorrer dos trabalhos do IV Conselho Coordenador do Ministério da Energia, a importação de combustíveis decresceu em cerca de 38 mil toneladas no primeiro Semestre deste, comparativamente a igual período de 2007, em consequência da alta de preços no mercado internacional.
Segundo os dados do Ministério da Energia, citados pelo diário “Notícias” de Maputo, foram adquiridas 262.897,6 toneladas entre Janeiro e Junho, contra os 301.371,6 que entraram nos primeiros seis meses de 2007.
Não obstante o volume das importações ter reduzido, o custo registou um incremento na ordem dos 39 por cento, tendo em conta que os combustíveis adquiridos no primeiro Semestre de 2007 custaram cerca de 186 milhões de dólares, contra os mais de 260 milhões gastos este ano, indicam os mesmos dados.
De 2005 a esta parte, os custos de importação dos combustíveis duplicaram, dado que naquele ano gastava-se cerca de 400 milhões de dólares na compra de fuel oil, diesel, gasolina e gás de cozinha, contra os 800 milhões de dólares necessários actualmente.
O preço do petróleo estava esta Segunda-feira a subir no mercado de NovaIorque, EUA, perante receios de que o conflito entre a Rússia e a Geórgia possa interromper o abastecimento proveniente do Mar Cáspio.
O preço está a subir depois de cinco dias de confrontos na Ossétia do Sul, com receios de que o conflito possa colocar em causa o abastecimento do Azerbeijão para o Mediterrâneo através dos oleodutos que atravessam a Geórgia, segundo destaca a imprensa europeia.
A Geórgia tem um papel-chave para o Ocidente como corredor energético entre o Mar Cáspio e os mercados mundiais, uma vez que pelo seu território passam importantes oleodutos e gasodutos que evitam o território russo, diz, por exemplo, o diário luso “Correio da Manhã”.
O Baku-Tbilissi-Ceyan (BTC), que transporta crude do Azerbeijão para o porto turco de Ceyan, no Mediterrâneo, é para já o único oleoduto afectado na região devido a um ataque bombista reclamado por um grupo separatista do Curdistão.
O BTC transporta “light crude” do Azerbeijão cujo preço é fixado com base nos contratos de Brent. Brent é uma classificação de petróleo cru que se subdivide em Brent Crude, Brent doce leve, Oseberg e Forties. O Brent Crude é originário do Mar do Norte.
O nome “Brent” foi criado por uma política interna da petrolífera Shell, que originalmente denominava seus campos de produção com nomes de aves (neste caso, o ganso de Brent).
A BP, proprietária do oleoduto com 1.768 quilómetros, que passa a 100 quilómetros a sul da capital da Ossétia do Sul, afirmou esta Segunda-feira que o incêndio já está extinto, faltando agora apurar a extensão dos danos.
Os produtores de petróleo estão a desviar o transporte do petróleo do Mar Cáspio do BTC para o oleoduto que liga Baku a Supsa, na costa georgiana do Mar Negro, para o oleoduto entre Baku e o portorusso Novorossisk, na costa russa do Mar Ngro, e por comboio através da Geórgia té aos portos russos o Mar Negro.
“Existem por isso receios de que o densar do conflito possa pôr em causa dse transporte através da Geórgia”, sublinha a imprensa europeia, em particular a lisboeta. O preço do petróleo estava a subir 1,5 por cento para 116,90 dólares no mercado electrónico de Nova Iorque.
Em Londres, o barril de petróleo para entrega em Setembro estava a ganhar 1,8 por cento para 115,32 dólares o barril. Enquanto isso, os lucros do conjunto dos países da OPEP dispararam com a escalada do preço do petróleo nos primeiros seis meses deste ano. Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo arrecadaram 430 mil milhões de euros (cerca de 645 mil milhões de dólares EUA, ao câmbio desta Segunda feira).
No primeiro semestre de 2008, os 13 países exportadores de petróleo, que são responsáveis por quase metade da produção mundial de “ouro negro”, encaixaram 430 mil milhões de euros. O valor aproxima-se dos 450 mil milhões de euros arrecadados ao longo de 2007.
O aumento dos lucros da OPEP resulta não só da subida do preço do barril de petróleo, mas também do aumento da produção da matéria-prima, segundo analistas.
Embora o petróleo esteja a dar sinais de abrandamento, a OPEP mantém a expectativa de chegar a lucros de 800 mil milhões de euros no final do ano, o que representaria quase o dobro dos lucros registados no ano passado.
Os membros da OPEP deverão manter a produção de petróleo dentro dos limites acordados, indicou o presidente da Organização, Chakib Khelil. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo está actualmente a ultrapassar a sua fasquia informal de produção, com a Arábia Saudita a pôr em prática a promessa de ir ao encontro da procura crescente e de contribuir para atenuar a escalada dos preços.
De acordo com a agência noticiosa britânica, Reuters, os membros da OPEP produziram, em Julho, 30,20 milhões de barris de petróleo por dia, atingindo um excedente de 500 mil barris face à fasquia informal.
Só a Arábia Saudita produziu, em Julho, 9,7 milhões de barris de petróleo pordia, ultrapassando a meta de 8.943 milhões de barris. “À excepção do Iraque e de novos membros que estão à margem da quota da OPEP, o resto dos membros deverão produzir no quadro das suas quotas”, afirmou o presidente da OPEP, Chakib Khelil, que recentemente visitou o Irão.
No início de Agosto, o ministro iraniano do Petróleo, Gholamhossein Nozari, alertou os membros da OPEP que aumentaram a produção para a necessidade de exercerem um maior controlo, num cenário de queda dos preços.
Os preços do “ouro negro” têm vindo a afastar-se do pico de 147 dólares atingido em Julho passado. Também o Irão, segundo maior produtor de petróleo no seio da OPEP, excedeu em Julho o seu limite de produção, fixado em 3.817 milhões de barril.