Fábricas do ramo têxtil poderão voltar a funcionar
Maputo, 05 Set 08 (AIM) - Duas grandes fábricas do ramo têxtil em Moçambique, a Texlom e Texmoque, poderão voltar a funcionar a partir deste ano (2008), segundo garantiu o Director Nacional da Indústria, Sérgio Macamo.
Estas duas fábricas são algumas de um universo de 250 que se encontram paralisadas no país desde o início da década de 90 e que o Governo está a trabalhar para ver se consegue reactivá-las, contando para tal com a participação do sector privado nacional e estrangeiro. A Texlom, localizada no parque industrial da Matola, província de Maputo, que foi adquirida pela Fundação Aga Khan, vai funcionar numa primeira fase como uma unidade de confecções, produzindo roupas. Nesta fase, vai empregar um total de 600 mulheres.De acordo com Macamo, a Texlom irá gradualmente fazer a integração da cadeia de produção, desde a transformação do algodão, fiação, tecelagem, produção de tecido e, por fim, produção do vestuário.
“Até finais deste ano, aTexlom vai começar a funcionar como uma unidade de confecções, numa primeira fase, produzindo roupas e gradualmente vai fazer integração de toda a cadeia de produção, desde a transformação do algodão, fiação, tecelagem produção de tecido e vestuário”, explicou Macamo, numa conferência de imprensa realizada em Maputo, na última Quarta-feira.
Enquanto isso, a Texmoque, localizada na província de Nampula, no Norte de Moçambique, está numa fase de montagem de equipamento por forma a reiniciar a sua actividade ao longo deste ano.
A Texmoque é propriedade de uma companhia tanzaniana, METL (Mohammed Enterprises Tanzania Ltd) desde Outubro de 2006. A METL prometeu investir 20 milhões de dólares norte-americanos para a aquisição de novo equipamento e reactivar a indústria. A pretensão era reiniciar as actividades em 2007, com uma força de trabalho composta por 400 trabalhadores.
Esta pretensão não se concretizou por razões ainda não apuradas, acreditando-se que não passara deste ano. “A Texmoque está a montar equipamentos e acreditamos que ao longo deste ano, não me perguntem exactamente quando, porque temos ainda três mesespara o fim deste ano, possam iniciar as suas actividades”, afirmou.
Os tecidos produzidos pela Texmoque e Texlom, apesar de não se saber exactamente a quantidade, serão vendidos na Europa, no âmbito dos benefícios de mercado preferencial.
Para Macamo, a reactivação destas duas fábricas não é motivada pelo mercado doméstico, que é considerado pequeno e marginal, mas pela possibilidade de vender fora, concretamente na Europa, onde a demanda é maior.
A Texmoque encerrou em 1994, tendo sido adquirida pela Multiplier, uma firma portuguesa, em 1996, que veio a mostrar-se incapaz de relançar a produção da fábrica.
Por seu turno, a Texlom paralizou a sua actividade em Agosto de 1997, na sequência do abandono da Sogetex, uma sociedade portuguesa responsável pela gestão da fábrica.
A Texlom empregava mais de 2500 trabalhadores e tinha uma dívida superior a três milhões de dólares, o que vinha impedindo a sua modernização tecnológica.
A Texlom foi criada em 1966 como uma Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada (SARL), tendo sido inaugurada por volta de 1972, altura que iniciou a sua produção. Esta unidade fabril produzia diariamente 1813 toneladas de fio e 9500 metros quadrados de tecido, em 1998.
O encerramento destas duas fábricas de tecido resultou da abertura do mercado no início da década de 90. A partir dessa altura, o mercado moçambicano ficou abarrotado de roupa velha e sapatos usados, o que contribuiu para baixar drasticamente a procura pelo produto interno novo.
Com o encerramento destas fábricas, milhares de operários e outros intermediários ficaram desempregados. Estas não são as únicas fábricas que Moçambique já teve. No passado, o país tinha uma vasta indústria têxtil de confecções e de calçado, espalhada quase por todo o país, como são os casos de Textáfrica, EMMA, Progresso (Manica), Texmanta (Cabo Delgado), Riopele, Têxtil de Mocuba (Zambézia), entre outras confecções.
A Texlom e Texmoque são algumas das indústrias para as quais o Governo conseguiu atrair investimentos para a sua reactivação. Entretanto, existem outras que estão em processo.
A antiga CIFEL, que esteve paralisada durante dez anos, é outra fábrica que járetomou as actividades. A fábrica, que produz diferentes tipos de aço e ferro para a construção civil, foi adquirida o ano passado (2007) pela transnacional ArcelorMittal, que está a investir cerca de 11 milhões de dólares, valor que não inclui o montante despendido com a compra.
Espera-se que esta fábrica, inaugurada em Abril último, venha a produzir anualmente 35 mil toneladas de aço e varões de ferro de 8 até 12 milímetros para a construção civil.
A produção desta fábrica será potencialmente comercializada no mercado local, embora outra parte seja reservada para a exportação, sobretudo para a África do Sul.
Para Macamo, há necessidade de acelerar a reactivação das cerca de 250 unidades fabris, por um lado devido a Integração Regional na Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), que já esta a ser materializada com a Zona de Comércio Livre (FTA, sigla inglesa). Por outro, para não se correr o risco de as indústrias paralisadas se desviarem da sua vocação. Moçambique possui uma estratégia de Desenvolvimento da Indústria, aprovada pelo Conselho de Ministros em Agosto de 2007, que poderá contribuir para acelerar o processo de reactivação das indústrias paralisadas no país.
A estratégia aponta as áreas de alimentação, agro-processamento, construção, vestuário e calçado, bem como embalagens como prioritárias, devendo merecer atenção dos investidores.
A estratégia prevê acções a desenvolver até 2009, devendo em seguida ser avaliada e elaborados novos planos de acção no mesmo contexto da estratégia até que efectivamente se alcancem as metas pretendidas: industrialização do país.