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Presidente Guebuza eleito vice-presidente do órgão mais importante da SADC

Sandton (África do Sul), 18 Ago 08 (AIM) – O Chefe de Estado moçambicano, Armando Guebuza, foi eleito, no decurso da 28ª Cimeira Ordinária da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), vice-presidente do Órgão para a Política, Defesa e Segurança da organização.
Trata-se do órgão mais importante da SADC, uma vez que lida com questões de defesa da soberania dos estados e dos povos da região, para além de ter a responsabilidade de velar pela paz e estabilidade política na África Austral.

Esta é a segunda vez, em menos de dez anos que Moçambique assume funções de direcção este órgão. Durante a Governação de Joaquim Chissano (no início do ano 2000) o país foi presidente da troika da Política, Defesa e Segurança.A presidência da Troika passa de José Eduardo dos Santos, estadista angolano, para o Rei Muswati III, da Suazilândia, que era o vice-presidente deste órgão.

De acordo com o Ministro moçambicano dos Negócios Estrangeiros, Oldomiro Baloi, a escolha de Moçambique para a vice-presidência do órgão em referência pode ter derivado do facto de o país ter uma boa reputação a nível da SADC, do continente e do mundo em geral. Baloi, que falava em nome do chefe de estado moçambicano, considera que o ambiente de estabilidade política, bem como o sucesso na reconstrução do país depois da guerra civil que durou 16 anos são a causa da boa imagem e reputação de Moçambique na região, em África e no mundo.

“Este é o órgão mais importante da organização. Moçambique já deteve a presidência deste órgão no início do ano 2000 e, em princípio, devia haver uma maior rotação. O facto de sermos chamados, creio que se presta a uma leitura bastante positiva sobre a reputação que o nosso país tem a nível da região, e por que não dizer no continente e no mundo”, sublinhou.

Durante a reunião, os Chefes de Estado decidiram atribuir a vice-presidênciada organização a Joseph Kabila, da RDCongo. Assim, este país vai acolher em 2009 a 29ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC.

Kabila, no discurso de aceitação, disse que esta constitui uma prova de confiança da SADC para com o seu país não obstante a crise política que viveu. Kabila reiterou o seu compromisso de respeitar os princípios da organização, no que refere a democracia, entre outros.

O Presidente da RDCongo aproveitou a ocasião para apelar os seus pares para olharem atentamente a questão da crise alimentar de forma a evitarem que este fenómeno se transforme numa crise humanitária. Kabila pediu, igualmente, para os estadistas da SADC darem mais atenção a crise energética que afecta a região.

A 28ª Cimeira Ordinária da SADC foi, igualmente, marcada pela readmissão das ilhas Seycheles na organização depois de cinco anos da sua retirada. Assim, a organização passa a contar com 15 membros.

O Presidente das Seycheles, James Michel, proferindo o seu discurso depois da readmissão explicou que a retirada do país da organização em 2003 não se deveu ao facto de não partilhar ou concordar com os princípios da SADC, mas por questões de ordem económica.

Michel explicou que o país estava num processo de reestruturação macroeconómica, o que obrigava a racionalizar recursos e virar todas as suas atenções para a situação. Neste momento considera que já está em condições de pagar a sua contribuição para a SADC.

Michel referiu que, mesmo fora da organização, as Seycheles continuavam a participar nas reuniões da SADC, o que mostra que a comunidade sempre esteve do lado daquele país e compreendeu as razões da sua retirada.

Michel assumiu, diante dos seus homólogos, o compromisso de se tornarem um membro activo na SADC e contribuir para o bem desta comunidade, principalmente em termos de reputação e respeito.

A reunião da SADC decorreu durante dois dias e contou com a participação de 13 Chefes de Estado, incluindo as Seycheles. O Presidente do Botswana não esteve presente no encontro, mas está representado nas negociações sobre o Zimbabwe em cursodesde a passada sexta-feira, através do Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Mwanawassa foi a grande ausência que por motivos de saúde não pode estar presente, tendo sido representado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Kabinga Pande.

A SADC é composta por Moçambique, Angola, Botswana, RDCongo, Lesotho, Madagáscar, Malawi, Maurícias, Namíbia, Seycheles, África do Sul, Swazilândia, Tanzania, Zâmbia e Zimbabwe.